A estrutura sob tensão
forma um grande “circo” e a piscina atravessa
a casa e chega até à sala.
O arquitecto Cláudio Bernardes
idealizou esta casa para viver, trabalhar e receber os netos. Não
chegou a acabá-la. Coube ao filho Thiago a conclusão
da obra, em jeito de homenagem.
produção e texto de Mário
de Castro
fotografias de Tuca Reinés
No deck, vista para o jardim de Isabel Duprat e piso Brennand
branco asiático artesanal, em contraste com a casa
moderna.
É uma casa
de sonho, a que o arquitecto e designer Cláudio
Bernardes, autor de muitos projectos belos, ousados — e confortáveis
— destinados a chiques e famosos, estava a fazer para seu próprio
deleite.
Em Itanhangá, local isolado do Rio de Janeiro, ele pensava
passar um tempo, trabalhar, receber clientes e, principalmente, conviver
com os netos.
Não é por acaso que uma piscina estreita parece atravessar
um dos corpos da residência.
Além de proporcionar divertimento aos netos, Cláudio
tinha planos para voltar a fazer exercício físico.
O criador passou bastante tempo a estudar a estrutura metálica,
que estrutura a construção e suporta a cobertura em
lona, fazendo lembrar uma tenda de circo.
Projectar uma casa para
seu próprio uso era, para ele, uma forma de propor coisas novas,
como a estrutura em tensão, que qualquer cliente dificilmente
aceitaria antes de ver outra semelhante...
Em termos visuais, é quase uma grande tenda — o tecto
é de lona — com três quartos, um escritório
gostoso e uma sala ampla a constituírem a base do projecto.
Quando Cláudio morreu, vítima de acidente de viação,
em Outubro de 2001, a casa ainda estava em estrutura e tinha acabado
de receber as ombreiras.
Thiago Bernardes enfrentou o desafio de resgatar da memória
tudo quanto o pai tinha projectado e assumiu a obra. Grande desafio.
O seu pai era nada menos que um dos mais renomados arquitectos brasileiros.
“Muitas coisas,
como esquadrias de aço inox, pisos, acabamentos, forros de
papel, luminárias e persianas, já tinham sido escolhidos
por ele. Outras foram criadas sempre pensando nele”, diz Thiago.
Exemplo desse espírito é uma trepadeira que, através
de uma malha de aço no tecto, cresce no interior. Ao olhar
para o tecto, não há limite e as folhas formam um caprichoso
jogo de sombras.
Superiluminada, a casa tem belos jardins, projectados por Isabel Duprat.
Faltam, ainda, alguns móveis.
“Acho que a casa ficou exactamente como ele sonhou. É
a cara dele. Só sinto que ele não a tenha usufruído.
Pouco antes de meu pai morrer, dei uma festa de aniversário
lá, ainda durante as obras. Foi a única vez que ele
viu a casa lotada, embora ainda sem nada”, conta Thiago.
Um espelho
de água com o lago cheio de peixes domina a entrada.
Bonecas trazidas de Bali sobre a mesa desenhada por Cláudio
Bernardes.
Escada em chapa de aço com patamares em madeira. Quadro
com penas coloridas, de Cristiana Bernardes.
O tecto,
mercê da cobertura Tensotec, dá uma sensação
de infinito.
Uma malha de aço forrada por trepadeiras leva o jardim
para dentro de casa.
Esquadrias de inox M3 Engenharia
com vidros de quatro metros e meio de altura, da Bandeirantes
Vivos. Forro de papel laminado feito por Nido Campulongo.