• T2 em dúplex,
com salão e cozinha no piso de entrada, dois quartos
no segundo piso e um pequeno terraço •
Fachada envidraçada orientada para
nascente • Decoração pela própria,
de estilo contemporâneo, depurado
O
edifício antigo num bairro típico lisboeta
não deixa adivinhar os interiores com uma remodelação
contemporânea. Mas a entrada promete, quando subimos ao
terceiro andar num elevador de tecnologia avançada.
É o último piso e o único apartamento,
o que permite à inquilina personalizar desde logo o patamar
da escada com uma mesa, duas jarrinhas e uma tela de grandes
dimensões da autoria de Maria Ribeiro Telles.
Na sala, a disposição
do sofá branco, da Habitat, encostado à
ampla janela permitiu manter o espaço mais
aberto. Os tapetes são da Domo, o candeeiro
de tecto é da Habitat.
A nossa anfitriã, jornalista de
profissão, recebe-nos sorridente. Atrás de si,
a porta da cozinha aberta é a antecâmara de um
cenário bem real: o casario de Lisboa, o castelo e o
rio.
A estante branca foi
feita por medida. A escultura em madeira representando
uma pilha de livros é da autoria do
espanhol David Morago e é um ex-líbris
da casa. Existem mais três espalhadas
pelo apartamento. Mesa de apoio, da Domo,
e prato vermelho em cerâmica de Alexandre
Rebotín.
Conversamos na sala, num dos seus cantos preferidos: um sofá
de couro preto velhinho. “É aqui que muitas vezes
trabalho, mas o sofá branco [junto à janela] é
o meu posto. As horas passadas ali, sobretudo ao entardecer,
são inspiradoras. E, depois, o rumor da cidade, à
medida que se acendem as luzes, é inexplicavelmente belo”,
conta-nos, reconhecendo o privilégio diário de
aqui viver. “Esta casa é catártica, curativa
da alma, porque tem uma luz que influencia muito o estado de
espírito. São quadros sucessivos...”
No outro extremo da
sala, virada a poente, zona de jantar com
mesa em pau-santo, da Tom-Tom Shop, e cadeiras
desenhadas por Manolo Figueroa. Ao centro,
chaise-longue de Le Corbusier, mesa de apoio
e estante com prateleiras de vidro, da Domo.
Há três anos e meio, a jornalista mudou-se para
este dúplex com o filho. Já morava na vizinhança,
mas mais do que a envolvente exterior, foram a luz e o espaço
que a cativaram na casa. “São a base para a decoração.
A luz é o patamar sobre o qual se improvisa. E claro
que o espaço ajuda imenso, porque as coisas assentam
naturalmente”, explica.
USO
DA COR
Tudo
o que é básico é branco (os sofás,
a cama, as paredes). A cor é um apontamento e está
presente nos objectos e acessórios (tapetes, almofadas,
flores, molduras, pinturas). A preferência recai
nas cores vibrantes. Nos quadros, nota-se uma predominância
coerente do preto e branco, nos desenhos de Pedro Proença,
e dos azuis e encarnados, nos óleos de Maria Ribeiro
Telles.
Decorar é tarefa que gosta de assumir
sozinha. Sabe bem o que quer, é criteriosa nas escolhas
e fiel a algumas lojas e artistas plásticos. Não
se confessa demasiado apegada aos objectos, mas revela que se
houvesse um incêndio, “aquilo que teria mais pena
de perder seriam as fotografias”. E, de facto, são
diversas as molduras concentradas em prateleiras e móveis
da sala e do quarto. Então, e os livros e quadros, elementos
tão marcantes na decoração e história
da casa? “Teria pena, mas substituem-se, podem ir-se repondo...”
Quem entra na sala não consegue ficar indiferente às
pi-lhas de livros, que não são mais do que esculturas
em madeira, mas tão reais que suscitam sempre um comentário
e a vontade de tocar nelas para confirmar a ilusão.