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Quem vê este prédio antigo transformado numa moradia de três pisos, não imagina a vida que existe lá dentro. A luz e a vista soberba sobre o rio Tejo acabaram por determinar a decoração e a tipologia do espaço. A decoração é ecléctica, misturando com elegância o passado e o presente.
TEXTO E PRODUÇÃO DE CLÁUDIA TICO FOTOGRAFIAS DE JOSÉ BARRETO
| CHAVE DA CASA |
Área: Moradia com 210 metros2, em Lisboa
Tipologia: Piso inferior com hall, quarto de hóspedes, quarto principal com closet, casa de banho, lavandaria e pátio. No primeiro piso, sala de estar e de jantar, cozinha e casa de banho. Escritório no sótão
Remodelação: Redel Construções
Projecto de decoração de Filipa Ferreira, a proprietária |
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| No hall, espelho e prateleira desenhados pela proprietária e produzidos na Redel Construções. Tapete da Habitat, na Area. Boneco e lustre, ambos na D’Época |
Na sala de estar, as almofadas e os sofás foram feitos pela proprietária. A mesa, da autoria da mesma, foi executada pela Redel Construções, bem como as prateleiras e o espelho. Candeeiro, na Colonial. Cortinados, na Zara Home. Quadro de Paula Rego. |
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| Na zona de refeições, mesa, bancos, espelho e aparador desenhados pela proprietária. Cadeiras Louis Ghost, de Philippe Starck para a Kartell, na D’Época. Candeeiro de tecto, da Mood. A escultura em gesso, em forma de mão, veio do Rio de Janeiro. As flores, Em Nome da Rosa. Candeeiro Orgel, na IKEA. |
Cozinha, com chão hidráulico, candeeiro de tecto e relógio da Habitat, na Area. A fruteira foi comprada numa viagem ao Rio de Janeiro. Candeeiro de pé da autoria da proprietária. |
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| Na sala de estar, cadeirão de veludo, na D’Época, e quadro adquirido em Nova Iorque. |
No quarto principal, com acesso ao pátio, tela e manta, ambas da autoria da proprietária. Estrela luminosa adquirida no Rio de Janeiro. |
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| O sótão foi reconstruído e adaptado a escritório. Cadeira antiga que a proprietária recuperou. Sobre a mesa, desenhada por Filipa, candeeiro Ará, de Philippe Starck, na D’Época. Sofás de família e almofadas oriundas de Palma de Maiorca. |
A fachada antiga, revestida a azulejo, e a porta azul a condizer distingue-o no meio de tantos outros prédios num bairro antigo de Lisboa. Este edifício, originalmente composto por dois andares independentes, foi totalmente recuperado e passou a dar residência a um só morador, que tem o privi-légio de usufruir de três pisos e um pátio. Foi precisamente este espaço exterior e a luz que conquistaram Filipa Ferreira no primeiro dia que aqui entrou. Apesar do estado perfeitamente habitável, a proprietária decidiu abolir algumas paredes para aumentar as divisões existentes, que, na planta inicial eram muito compartimentadas. Três salas, transformadas numa só, deram lugar à zona social e à de refeições. Aboliu a despensa e construiu um lavabo social. No quarto principal abriu uma parede para o closet. Na casa de banho, substituiu o chão e colocou uma bancada com espelho. O sótão, aparentemente irrecuperável, foi reconstruído e adaptado para escritório, um espaço coroado pela fantástica vista sobre o Tejo e a cúpula do Panteão Nacional. A mesma vista, mas sem o rio, recebe-nos no hall, numa fotografia impressa sobre tela, da autoria de Filipa, que acompanha o pé-direito.
Curioso nesta casa é o facto de, ao contrário do habitual, a zona social ser no piso superior e a zona privada, no piso térreo. A empresária, que vive sozinha, justifica: “Lá em cima é onde há mais luz, por isso, decidi instalar aí a sala e a cozinha, os espaços onde passo mais tempo, além do escritório. Como os quartos são utilizados somente para dormir não precisam de ter tanta claridade.”
Tanto as obras como grande parte do mobiliário, que Filipa desenhou propositadamente para esta casa, foram executados na sua empresa ligada à área da construção civil. Outras peças que vestem a decoração acompanham-na de anteriores moradas e de viagens que realizou durante os anos em que foi assistente de bordo.
Uma casa ímpar, um pouco ecléctica, em que as paredes brancas, evidenciadas pelos reflexos de luz que a invadem, dão leitura a cada recanto e aos apontamentos de cor. “Tem a ver comigo”, responde Filipa quando questionada sobre o seu estilo. “É tranquila, serena… Tudo fruto da minha inspiração nas pessoas, no que vejo, na luz”, conclui.
De partida, Filipa já está a trabalhar num outro projecto, a sua próxima morada. “Cada vez que compro uma casa para recuperar, acabo por me rever tanto nela que tenho de ir para lá viver. Gosto de casas com alma e em que se sinta que já foram habitadas por outras pessoas.”
Aqui, fica apenas por construir uma piscina, já idealizada, no pátio – local de eleição e onde passa grande parte do tempo a jardinar. Mas a paixão e a vontade de remodelar falam mais alto…
Remodelar para aproveitar
Todas as remodelações foram feitas com o objectivo de ampliar as divisões já existentes.
Abolição de paredes – Três divisões pequenas resultaram numa ampla sala de estar e jantar
Casa de banho – Nasceu no lugar de uma despensa
Sótão – Originalmente inabitável, foi transformado em escritório |
Resposta às cores
Numa casa em que cada parede tem um apontamento de cor, Filipa Ferreira desvendou o significado de cada tonalidade.
Verde – “É a mesma cor que tinha no quarto da outra casa... É uma continuidade”
Castanho – “Proporciona um ambiente quente e acolhedor”
Azul – “Uma das cores que faz parte da minha paleta de eleição”
Rosa – “Toque de feminilidade”
Preto – “Para dar um ar teatral ao espaço” |
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| No quarto de hóspedes, candeeiro Bourgie, de Ferruccio Laviani para a Kartel, na D’Época. Móvel e candeeiro de tecto recuperados pela proprietária. As camas, com mantas da IKEA, vieram de casa dos pais. |
Na casa de banho, candeeiro de família. A moldura foi aproveitada de um quadro antigo. Torneira misturadora, da Ofa. Tapete antigo de uma igreja. |
Sobre a mesa, jarro e copos do Depósito da Marinha Grande. Serviço Rafael Bordalo Pinheiro. Faqueiro da Habitat, na Area. Individuais da IKEA. Vasos, da Em Nome da Rosa. |
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3 perguntas a…
Filipa Ferreira, apesar de já ter voado para quase todo o Mundo como assistente de bordo, é formada em pintura decorativa, uma área que está intimamente ligada à sua actual actividade, a recuperação de interiores.
Última viagem. Berlim.
Se tivesse de escolher outro local para viver, qual seria? Nova Iorque ou Brasil, sem dúvida.
Um sonho? Recuperar um hotel de charme e colocar todos os elementos que integram a sua decoração à venda, para que eu pudesse estar numa constante remodelação do espaço. |
| Pátio interior ideal para fazer refeições de Verão e onde a proprietária se dedica à jardinagem. |
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